domingo, 3 de outubro de 2010

TNSC - CAVALLERIA RUSTICANA



Fotos de Ricardo Brito




CONTAR UMA ÓPERA
- CAVALLERIA RUSTICANA
PIETRO MASCAGNI (1863-1945)


TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS


NOVEMBRO
Dia 3 e 4 às 20:00h

Dia 6 e 7 às 16:00h


VERSÃO DE CONCERTO

Direcção Musical Martin André

Ópera contada por Beatriz Batarda

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Coro do Teatro Nacional de São Carlos

INTÉRPRETES

Santuzza Sónia Alcobaça
Lola
Maria Luísa de Freitas
Lucia
Laryssa Savchenko
Turiddu
Fernando del Valle
Alfio
Luís Rodrigues


Melodramma em um acto.
Libreto de Giovanni Targioni-Tozzetti e Guido Menasci, segundo a peça de Giovanni Verga.


Estreia absoluta: Teatro Costanzi de Roma a 17 de Maio de 1890


SINOPSE

A ideia de criar uma ópera sobre a peça Cavalleria Rusticana de Giovanni Verga, surgiu em 1888 quando Pietro Mascagni tomou conhecimento da 2.ª edição do concurso patrocinado pelo editor Edoardo Sonzogno. O libreto, concluído em 1888, resultou de um convite ao seu amigo Giovanni Targioni, tendo este por sua vez convidado Guido Menasci. O compositor terminou o melodramma em um acto no mês de Maio de 1889, enviando-o a Puccini que, por sua vez, o deu a conhecer a Giulio Ricordi que não revelou entusiasmo pelo trabalho. Cavalleria Rusticana foi uma das obras premiadas no concurso, valendo-lhe a estreia em 1889 sob a direcção de Leopoldo Mugnone, um dos mais reputados maestros ligado aos géneros operáticos. A ópera revelou-se um grande êxito, sendo colocada em cena nos principais teatros de ópera do mundo e resultando num considerável lucro para Sonzogno. A acção tem lugar na Sicília, durante a Páscoa, e assenta num enredo amoroso com final trágico. Santuzza carregava no ventre um filho de Turiddu. No entanto, ele abandonara-a voltando para o seu antigo amor, Lola, casada com Alfio. Os dois amantes assumiram a sua relação publicamente, desencadeando um duelo por desafio de Alfio a Turiddu. A luta tem lugar fora de cena, sendo a morte de Turiddu anunciada pelo choro e gritos das mulheres no final da ópera. Mascagni criou assim uma ópera dominada pela estética verista, apresentando elementos sonoros e motivos recorrentes que evocavam o ambiente siciliano, assim como outros associados às personagens, dominados pelos sentimentos de ciúme e traição. O equilíbrio da obra surge da conjugação de uma orquestração e harmonia convencional, aliado a uma inventividade melódica que expressa o domínio criativo do compositor.
Pedro Russo Moreira


Críticas:

*
Mascagni: "Cavalleria Rusticana"

"(...) mas foi Sónia Alcobaça (Santuzza) quem mais brilhou e a única que tentou emprestar alguma intenção dramática à representação. O papel, porém, é pesado e não deve abusar. A estrela vai em honra dela."

Jorge Calado, in Atual / Expresso


"Excelente interpretação da soprano Sónia Alcobaça (Santuzza). O São Carlos pisca o olho a um público mais jovem, oferecendo um outro olhar sob a obra de Pietro Mascagni."

in http://acidadedeclarissa.blogspot.com


domingo, 19 de setembro de 2010

Teatro Municipal de Almada - Vamos fazer uma Ópera



VAMOS FAZER UMA ÓPERA

Um Divertimento para
Gente Miúda, op 45


Benjamin Britten / Eric Crozier


2 OUTUBRO 2010
Sáb às 16h00
/ Duração:2h15m
M12
Teatro Municipal de Almada
Sala Principal





-
NA ESCOLA / Teatro
Paulo Matos

-
O PEQUENO LIMPA-CHAMINÉS / Ópera

versão portuguesa de Alexandre Delgado


Vamos, de novo, Fazer Uma Ópera
"Let's make an opera, na concepção original de Benjamin Britten e Eric Crozier nasceu da vontade de criar uma ópera para e feita por crianças. Os protagonistas do espectáculo são crianças, quer as que desempenham os papéis da história do limpa-chaminés quer as que cantam na plateia as canções emblemáticas da ópera e que, supostamente, participaram activamente na sua criação e construção. É este o principal desafio: o público, maioritariamente constituído por jovens, deverá sentir não só que está a assistir a todo o processo de produção de um espectáculo de ópera, desde a sua criação, ao seu planeamento, ensaios, construção, etc, mas também que faz parte dele como personagem colectivo na forma de coro. Quando há 16 anos atrás realizei a primeira montagem desta obra no Teatro S. Luiz no âmbito da Lisboa/94, a minha primeira opção de fundo, que mantenho para esta remontagem, foi a de colocar todo esse processo – de produção de um projecto com e por crianças – dentro de uma escola. Pareceu-me então, como hoje ainda, que é dentro de uma escola, nas suas dimensões de aprendizagem, crescimento, confronto e vivências, que os jovens se constroem e, numa primeira fase, se relacionam com os universos culturais. Por isso me pareceu e parece que faz todo o sentido que este Vamos Fazer Uma Ópera seja uma decisão de projecto colectivo dentro de uma escola imaginária que construiremos no Grande Auditório da FCG. O desafio agora, tantos anos e tantos projectos depois – obrigado Catarina por tanto percurso partilhado - será o de saber sentir e recriar tudo o que mudou nos jovens e nas escolas desde então. Encontrando, uma nova linguagem, um renovado universo de relacionamentos e, até, uma redobrada competência como resultado de uma crescente maturidade. Vamos, de novo, fazer uma ópera!" Paulo Matos

Ficha Técnica:

Paulo Matos - concepção geral e encenação
Nuno Sá - direcção musical
Sara Machado Graça – cenografia e figurinos
Paulo Graça - desenho de luz
Paula Nora - produção executiva

Intérpretes e Personagens:

Diogo Mesquita – Diogo
Sónia Alcobaça – Gertrudes / Rosa
Luís Rodrigues – Amadeu / Zé Carvão / Tomás
João Queirós – Eleutério / Quim / Alfredo
Luísa Barriga – Cristina / Júlia
Maria Luísa de Freitas – Isabel / Dona Berta
Nuno Sá – Ricardo / Maestro
Luis Campos – Joãozinho
Catarina Mota e Melo – Aluna / Sofia
Maria Varandas – Aluna / Raquel
Pedro Portas Fontes – Aluno / Pedro
Martinho Ferreira – Aluno / Hugo
Leonor Andrade – Aluno / Tina

Alunos e Coro:

Ana Margarida Botelho, Beatriz Silva, Catarina Barreiros, Catarina Sousa, Clara Pedro, Guilherme Oliveira, Joana Costa, Madalena Barão, Madalena Pereira, Madalena Veiga, Mafalda Gonçalves, Maria Ferrer, Maria Luís Santos, Maria Madalena Santos, Susana Francês, Susana Medeiros.


Músicos:
Pianos - Pedro Vieira de Almeida e João Crisóstomo
Violinos - Ana Pereira e Ana Filipa Serrão
Viola - Joana Cipriano
Violoncelo -
Carolina Matos
Percussão - Pedro Carvalho


Produção original:


Fundação Calouste Gulbenkian – Descobrir
- Programa Gulbenkian para a Cultura -

terça-feira, 7 de setembro de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Festival das Artes - Águas Infindas







Anfiteatro Colina de Camões, Quinta das Lágrimas
28 de Julho - 21h00

"Movimentos Fugidios"


A.P.VARGAS: Águas matinais da Holanda (a)
A.P.VARGAS: Quedas de água (com lágrimas) (a)
DEBUSSY: Reflets dans l’eau (de Images I) (b)
BERIO: Wasserklavier (b)
STOCKHAUSEN: Pischis & Aquarius (de Tierkreis) (b)
LIGETI: Arc’en ciel (b)
A.P.VARGAS: Liszt em Bellagio (de Holderlinos) (b)
A.P.VARGAS: A cada semana (Ária da ópera “Outro fim”) (b) + (c)
A.P.VARGAS: 4 ou 5 movimentos fugidios de água (b) + (d)


(a) António Pinho Vargas, piano
(b) Miguel Henriques, piano
(c) Sónia Alcobaça, soprano
(d) Ana Maria Santos, clarinete
(d) Carlos Gomes, violoncelo

terça-feira, 15 de junho de 2010

Cole Porter/Nuno Côrte-Real: Ev'ry time We Say Goodbye



Cole Porter's "Ev'ry time We Say Goodbye", with arrangement of composer and maestro (seen in the video) Nuno Côrte-Real.


Sónia Alcobaça soprano

ENSEMBLE DARCOS
Fausto Corneo clarinete / clarinet
Gaël Rassaert violino / violin
Reyes Gallardo viola
Filipe Quaresma violoncelo / cello
Helder Marques piano

CAMERATA DU RHÔNE
Gaël Rassaert violino e direção / violin and direction
Teatro-Cine de Torres Vedras, 10.01.2010 (Concerto de Ano-Novo)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Recital em Sesimbra





Vincenzo Bellini - Norma
Dueto de Adalgisa e Norma



Aqui fica um dos momentos do Recital de Sesimbra, realizado em Março deste ano (2010). Apesar da faringite e do eco da igreja, penso que vale a pena o registo. Na companhia dos meus queridos Laryssa Savchenko e Nuno Margarido Lopes, apresentámos um programa dedicado aos duetos para Soprano e Mezzo no período Romântico. A gravação é do meu não menos querido Luis Pereira, a quem agradeço toda a dedicação e carinho.


domingo, 16 de maio de 2010

Ópera no Castelo de Silves - Allgarve 2010









Così fan Tutte
Wolfgang Amadeos Mozart
Lorenzo Da Ponte


Castelo de Silves
10 e 11 de Julho de 2010 - 21:30


Paulo Matos - Encenação
Osvaldo Ferreira - Direcção musical

Alexandra Moura - Dorabella
Bruno Pereira - Don Alfonso
Carla Simões - Fiordiligi
João Cipriano - Ferrando
João Merino - Guglielmo
Sónia Alcobaça - Despina

Côro de 12 elementos

Co-repetição - Armando Vidal
Cravo - José Manuel Brandão
Cenografia e figurinos - Bruno Guerra
Coreografia - Carlos Matos
Desenho de luzes - Paulo Graça

Orquestra do Algarve


Crítica:
"Prende-nos no encantamento de luzes místicas, e leva-nos até ao seu majestoso castelo no cimo de uma colina, o palco da ópera «Cosi fan Tutte» de Wolfgang Amadeus Mozart, inserida no programa cultural «Allgarve’10».
O cenário natural de muralhas carregadas de história como bastidores, e o céu estrelado não poderiam ser melhores para nos fazer mergulhar até ao século XVIII e nos reencontrarmos em plena Nápoles...
A Orquestra do Algarve apresentou-se com uma formação surpreendentemente jovem, sob a batuta do maestro Osvaldo Ferreira, seduziu-nos com os sons tipicamente expressivos, melódicos e harmónicos de Mozart, e envolveu-nos no enredo do amor, que domina esta comédia.
A história? Don Alfonso lança um desafio provocante a Ferrando e Guglielmo, em que eles deveriam pôr à prova a fidelidade das suas amadas, Dorabella e Fiordiligi. Os dois oficiais fingem ser chamados para irem para a guerra, disfarçam-se de dois turcos galantes, charmosos e sedutores, e tentam conquistar a amada um do outro o que afinal acabam por conseguir.
A música de Mozart, alegre, jovial e rica acompanha brilhantemente esta história ligeiramente irreverente de sentimentos apaixonantes, que conjuga da melhor forma a austeridade e a ironia da vida – no que respeita ao amor.
Além da interpretação musical – que quase nos convenceu na totalidade - há que salientar sobretudo a qualidade artística dos cantores, que conseguiram arrastar consigo o público multicultural e entusiasmá-lo.
Silves, a anfitriã com o seu pano de fundo histórico – uma amálgama das culturas europeia e oriental – ofereceu sem dúvida o palco perfeito! Um momento de cultura absolutamente bem sucedido, que mexeu com todos os sentidos!"
Bettina Schmid
in Jornal Algarve 123

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dias da Música em Belém - As paixões da alma



Concerto de Encerramento
25 de Abril, 2010
Grande Auditório, 21h


Beethoven - Sinfonia nº9

Intérpretes:

Sónia Alcobaça, soprano
Paz Martinez, contralto
Mário Alves, tenor
Alfredo García, barítono

Coro Sinfónico Lisboa Cantat
Jorge Alves, direcção do côro

Orquestra Sinfónica Metropolitana de Lisboa

Cesário Costa, direcção

Nota: Transmitido em directo pela Antena 2.

domingo, 11 de abril de 2010

"Os mortos viajam de metro" - Imprensa

(Sandra Medeiros e Sónia Alcobaça)

Suicidas no subterrâneo

Com apenas 27 anos, Hugo Ribeiro escreveu “Os Mortos Viajam de Metro”, ópera policial com estreia hoje no São Luiz, em Lisboa. Virginia Woolf, Sarah Kane, Florbela Espanca e Sylvia Plath numa estação desactivada, e Agatha Christie atrás delas. É um mistério, e promete agitar as almas. Mas não se assuste: pode perfeitamente ir de metro.


Teatro Municipal São Luiz? É meter-se na linha azul ou na linha verde e sair na estação Baixa-Chiado. Não há que ter medo do título provocatório da primeira grande ópera de Hugo Ribeiro, “Os Mortos Viajam de Metro”. O título, de resto, talvez devesse estar antes no feminino, “mortas”. É que as personagens desta ópera são todas mulheres. Mulheres que se suicidaram. E não mulheres quaisquer - Virginia Woolf, Sarah Kane, Florbela Espanca e Sylvia Plath, todas escritoras que ficaram para a História, às quais há que somar uma jovem suicida de identidade desconhecida (aqui há mistério) e ainda Agatha Christie, a famosíssima autora de romances policiais, para resolver o enigma. Qual enigma? Para o encenador Paulo Matos, a questão central é saber ali “quem está no seu lugar e quem está fora dele” (é um jogo entre o palco e a vida). Quem é afinal a outra mulher suicida? E qual é o verdadeiro lugar dos mortos? Tem alguma pista? O mistério mete-se por questões sérias e subterrâneas, mas sem perder “uma dimensão paródica e um certo humor negro”, como nos diz o dramaturgo e agora também libretista Armando Nascimento Rosa. De metro então, em direcção a “uma séria e lírica paródia que dá voz a ícones femininos, habitantes do nosso consciente colectivo”.

Uma ópera que de facto começasse


“Os Mortos Viajam de Metro” é a primeira ópera de Hugo Ribeiro. Ou melhor, a segunda, já que foi graças à criação de uma pequena ópera vencedora do concurso Ópera em Criação 2008 no São Luiz, “As Duas Mulheres de Freud”, que o jovem compositor ganhou a oportunidade de fazer uma ópera de maiores dimensões, com direito, neste caso, a três apresentações (hoje, amanhã e domingo).
Tal como “As Duas Mulheres de Freud”, a segunda ópera de Hugo Ribeiro é um inquérito ao imaginário feminino. Mas à conversa com os três autores no Jardim de Inverno do São Luiz, na sequência de um ensaio, percebemos que é algo mais do que isso. Tratava-se de ir mais fundo na investigação das “ligações entre a criação poética e a pulsão de morte”, como explica o dramaturgo Nascimento Rosa. Do lado do compositor, havia também vontade de trabalhar as diferentes possibilidades dramáticas e musicais das vozes femininas, em busca de “uma sonoridade particular e de um universo sonoro a explorar”. Há qualquer coisa no registo vocal agudo que o estimula a desenvolver as suas ideias musicais, sublinha Hugo Ribeiro. O libretista Armando Nascimento Rosa pegou na ideia e escreveu um libreto que “tinha de começar com um suicídio de revólver”. Porquê? Porque “queria fazer uma ópera que de facto começasse”, diz o compositor. Queria uma forte tensão inicial, coisa que não via na maioria das óperas, e pensou que não havia nada melhor para criar essa tensão do que uma personagem com uma arma voltada contra si mesma. Estavam lançados os dados. Em vez de inventar suicídios, Armando Nascimento Rosa foi buscar “suicídios que já existem”, ligados pelo fio da escrita, da prosa (Virginia Woolf ) à poesia (Florbela Espanca, Sylvia Plath), passando pelo teatro (Sarah Kane). Mulheres que viveram tempos diferentes e que obrigaram a soluções musicais e cénicas diferenciadas, apesar de pisarem todas o mesmo palco.


(Sónia Alcobaça)


Como um policial

“Elas estão num lugar de passagem”, explica ao Ípsilon o encenador Paulo Matos, “mas é um lugar onde não estão bem, não estão felizes. É um lugar que não lhes dá paz, estão em conflito.” E é daí também que parte “uma certa melancolia” presente na ópera, mas ao mesmo tempo a caminho “de uma libertação”, diz. O encenador de “Os Mortos Viajam de Metro” tem larga experiência no teatro e na ópera, como actor, encenador e professor. Conhece portanto bem as dificuldades da ópera. Mas tirando o facto de “ser mais cara do que o teatro, normalmente”, o encenador considera que a ópera tem hoje “imensa popularidade”. “As pessoas procuram e gostam de ópera, mesmo da ópera contemporânea”, nota.
Nesta “ópera policial”, como lhe chama Nascimento Rosa, há uma personagem literária histórica que faz parte do enigma que é preciso desvendar. O nome de uma estação de metro dá uma pista, mas os três autores preferem não adiantar mais nada, para que todos nós, espectadores e espectadoras, sejamos também um pouco detectives. É uma estação terminal. Ou então apenas mais um lugar de passagem, como o próprio palco do São Luiz, que se transforma num limbo ou no próprio Hades, o reino subterrâneo dos mortos. Debaixo da terra, como anda o metropolitano. “É um espaço de angústia pelo qual estas personagens femininas se sentem atraídas”, diz Nascimento Rosa. Mas porque estão elas ali? Que fazem elas naquela estação abandonada? Há que ser paciente: o enigma só se resolve no fim, depois de um longo prelúdio e de um drama de um acto apenas, onde a morte e a escrita de cada uma delas se cruzarão conflituosamente. No elenco, um leque de cantoras com idades diferentes mas todas com experiência na ópera, a provar (se ainda fosse preciso) que não faltam vozes femininas disponíveis para a criação operática contemporânea: Madalena Boléo, Margarida Marecos, Raquel Alão, Sandra Medeiros, Sónia Alcobaça, Susana Teixeira, acompanhadas, graças à colaboração do Teatro Nacional de São Carlos nesta produção, pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, aqui dirigida por João Paulo Santos, um maestro com larga experiência no campo da ópera.

Encomendas precisam-se


Aos três autores, compositor, libretista e encenador, junta-se assim o maestro, numa colaboração intensa que Paulo Matos considera tão nova como antiga: “Dialogámos muito acerca da encenação, e uma colaboração assim tem características renovadoras mas vem de uma longa tradição da ópera”. Nascimento Rosa, dramaturgo experimentado que aqui fez o seu primeiro libreto operático com estas dimensões, diz que a função de libretista é especial, e diferente da dramaturgia habitual: “É um papel medianeiro, que exige ir discutindo, negociando aquilo que pode habitar as palavras”.
Também para Hugo Ribeiro é a primeira ópera com este peso. Interessa-se pela ópera “desde os 14 ou 15 anos”, pouco depois do início dos seus estudos de música mais a sério. E assume que andou a beber de “vários estilos”. Agora, para compor “Os Mortos Viajam de Metro”, foi fazer uma investigação ainda mais exaustiva, que o levou de Monteverdi e dos inícios da ópera no século XVII à compositora finlandesa contemporânea Kaija Saarihao. Paulo Matos diz que hoje há muita gente interessada em compor e em encenar ópera, como mostram, segundo ele, as duas edições da Ópera em Criação, em que quase 20 compositores bastante jovens revelaram ousadas propostas de composição. Para Hugo Ribeiro, a ópera precisa urgentemente de encomendas directas dos teatros. É a melhor maneira de uma trabalhosa composição não ficar na gaveta. “Esta demorou um ano e meio a pensar, planear e compor”, diz, acrescentando que “os últimos seis meses foram de trabalho intenso, por vezes com 12, 14, 16 horas por dia”. Este enigmático “thriller” policial está agora pronto a inquietar os espectadores do São Luiz. Ópera de mulheres escritoras à espera de uma chave que as liberte daquela inóspita estação. Ópera de infernos e suicídios, de enigmas e detectives. Ópera de fantasmas e memórias subterrâneas. E não podemos dizer mais nada. Para descobrir o enigma é preciso ir ver, ouvir e decifrar o nome da estação desactivada, para perceber quem é afinal a jovem solitária que a todos assombra… Sem medos: é só uma viagem de metro.

Pedro Boléo,
in Ípsilon, Público - 09 de Abril de 2010


(Raquel Alão e Sónia Alcobaça)

Ribeiro: "Os mortos viajam de metro"

"(...) A excepção é Sónia Alcobaça (que aliás representa uma muito credível Sarah Kane)."
Jorge Calado
in Actual, Expresso - 17 de Abril de 2010