domingo, 5 de abril de 2009

Portfólio: Recital de Sesimbra


"Vissi d'arte" Tosca/Puccini



"Qual fiamma avea nel guardo" - Nedda/Leoncavallo



"Quando m'en vo" - Musetta/Puccini

Após várias tentativas frustradas para conseguir endireitar as imagens decidi editá-las mesmo assim. São três árias do recital de Sesimbra, que o meu querido Luis Pereira teve a amabilidade de registar. Apesar da reverberação da Igreja e da fraca qualidade dos microfones do telemóvel, ainda assim dá para apreciar um pouco do que foi este serão em torno de Puccini.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Programa do Recital de Sesimbra

PUCCINI E O SEU TEMPO

GIACOMO PUCCINI (1858-1924)
"Donde lieta uscì" (Mimi - La Bohème)
"Signore, ascolta!" (Liù - Turandot)

PIETRO MASCAGNI (1863-1845)
Intermezzo (Cavalleria Rusticana)

GIACOMO PUCCINI
"Chi il bel sogno di Doretta" (Magda - La Rondine)
"Un bel dì vedremo" (Cio-cio San - Madama Butterfly)

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GIACOMO PUCCINI
"Si. Mi chiamano Mimì" (Mimi - La Bohème)
Prelúdio (Tosca)
"Vissi d'arte" (Tosca)

JULES MASSENET (1842-1912)
Aragonaise (Le Cid)

RUGGERO LEONCAVALLO (1857-1919)
"Qual fiamma avea nel guardo!" (Nedda - I Pagliacci)


Encore:

"Quando me'n vo" (Musetta - La Bohème/Puccini)

"Pace, pace" (Leonora - La Forza del Destino/Verdi)

27 de Março de 2009 às 22h
Igreja de Nossa Senhora da Consolação do Castelo
Sesimbra

sábado, 21 de março de 2009

Portfólio: "Metanoite" de João Madureira



Metanoite


29 e 30 de Junho de 2007 / Grande Auditório da F.C.Gulbenkian


Sobre esta ópera escreveu o compositor João Madureira :

”Metanoite é uma ópera que reflecte sobre o estado do mundo neste microclima que é o meio artístico erudito nos nossos dias – as suas contradições, surpresas e perplexidades. E é também uma reflexão sobre o modo como pensamos e sobre a própria linguagem que usamos e que a nós nos usa.”

Composição: João Madureira

Libreto: a partir de “O Senhor dos Herbais” e outros livros de Maria Gabriela Llansol

Adaptação: João Barrento

Direcção musical: Cesário Costa

Encenação: André e. Teodósio em parceria com Catarina Campino e Javier Núñez Gasco

Desenho de luz: Cristina Piedade

Pianista correpetidor: Pedro Vieira de Almeida

OrchestrUtopica


Cantores:

Sónia Alcobaça (soprano),

Sílvia Filipe (meio-soprano),

Mário Redondo (barítono);


Actores: André e. Teodósio, Catarina Campino, Javier Núñez Gasco, Maria João Machado, Mónica Garnel, Paula Sá Nogueira


Banda convidada: METANOITE (André Campino, André Prata, Hugo Cruz, Paulo Gonçalves).

Espectáculo para maiores de 12 anos.

domingo, 8 de março de 2009

Petite Messe Solennelle - Rossini

Auditório Municipal do Seixal

9 de Abril (Quinta-feira Santa) - 21:30


Sónia Alcobaça (soprano)
Susana Teixeira (meio-soprano)
Marco Alves dos Santos (tenor)
Manuel Pedro Nunes (barítono)

Luís Almeida (direcção musical)
Tatiana Balyuk (piano)
Andrea Fernandes (harmonio)

Ensemble Vocal Capella Mundi

M/6 anos
Bilhetes: 10,00€

quarta-feira, 4 de março de 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Foyer Aberto - O São Carlos no século XIX



Concertos ao fim de tarde (18h00):


10. MARÇO


DEPOIS DA GUERRA CIVIL - O REPERTÓRIO ITALIANO

Piano: João Paulo Santos
Comentários: Luísa Cymbron

Soprano: Sónia Alcobaça
Meio-soprano: Maria Luísa de Freitas
Barítono: Luís Rodrigues


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Programa

GAETANO DONIZETTI
"Apri il ciglio" - Duetto Eleonora, Cardenio (Il Furioso nell'isola di San Domingo)
"Cupa, fatal mestizia" - Cavatina Maria (Maria di Rohan)
GIUSEPPE VERDI
"Oh, de' verd'anni miei" - Aria Carlo (Ernani)
VINCENZO BELLINI
"Qui la voce sua soave" - Cantabile Elvira (I Puritani)
SAVERIO MERCADANTE
"Cielo di grazia" - Duetto Violetta, Teodora (Il Bravo)
FRANCISCO XAVIER MIGONE
"Al consorte svela il core" - Preghiera Vanina (Sampiero)
ERRICO PETRELLA
"Fra danze oscene ed orgie" - Duetto e Terzetto Jone, Nidia, Arbace (Jone)
CARLOS GOMES
"Giovinetta, nello sguardo" - Duettino Cecilia, Cacico (Il Guarany)
GIOVANNI PACINI
"Al seno mi stringi" - Terzetto Saffo, Climene, Alcandro (Saffo)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Recital na Gulbenkian










Para quem não pôde estar presente deixo alguns momentos gravados pela Antena 2 para futura transmissão.



Recital no Auditório 2 da FCG


Entre França e Espanha

Sónia Alcobaça apresenta-se no ciclo Novos Intérpretes com mélodie e canción.

Terça, 10 Fev 2009, 19:00 - Auditório Dois

A mélodie nasceu da junção de dois elementos fundamentais. Por um lado, pode ser vista como a consequência do impacto que os Lieder de Schubert tiveram sobre a prática vocal francesa, que até à década de 30 do século XIX é dominada pela romance. Por outro lado, desenvolveu-se acompanhando as novidades estilísticas e estéticas que foram sendo introduzidas pelos poetas franceses ao longo do século XIX e durante as primeiras décadas do século XX.Género artístico subtil e sofisticado como nenhum outro, a mélodie teve, no momento entre as duas Guerras, um dos seus períodos áureos. Paralelamente, enquanto Paris guardou o seu estatuto de capital cultural europeia, influenciou também a música vocal de compositores cuja origem não era francesa, mas que fizeram daquela a sua cidade de eleição. Ambos os elementos reflectem-se no fascinante programa que será interpretado neste recital.O concerto mostra, através das obras escolhidas, a variedade dos universos poéticos e musicais que a mélodie, como género, pode chegar a expressar, assim como a sua frutífera influência na canción lírica de cinco compositores que, apesar de serem espanhóis, sempre mantiveram ligações com a cultura francesa. A acertada selecção, que inclui composições de Falla, Granados, Honneger, Milhaud, Poulenc e, ainda, três canções de café-concerto da autoria de Satie, foi especialmente concebida para valorizar a magnífica voz e o talento dramático da jovem soprano Sónia Alcobaça, que se apresentará no âmbito do Ciclo Novos Intérpretes da Temporada Gulbenkian de Música, e a sensibilidade a que nos tem acostumado o pianista João Paulo Santos.

Serviço de Música da FCG
02 Fevereiro 2009

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Espanhóis e franceses por Sónia Alcobaça

Com Sónia Alcobaça (Soprano) e João Paulo Santos (Piano)


Obras de Albéniz, Falla, Turina, Granados, Halffter, Durey, Milhaud, Honegger, Tailleferre e Satie.

Para o seu primeiro recital a solo na Gulbenkian, no âmbito do ciclo Novos Intérpretes, a soprano Sónia Alcobaça escolheu, com o pianista João Paulo Santos, um interessante programa, que se centra em compositores franceses e espanhóis, a maior parte deles activos no período entre as duas Guerras Mundiais.

Canções escritas pelos membros do chamado Grupo dos Seis (nome que lhe foi atribuído pelo crítico Henri Collet em 1923) - Durey, Milhaud, Auric, Honegger, Poulenc, Tailleferre - e do seu mentor Erik Satie combinam-se com páginas de Albéniz, Granados, Falla, Turina e Halffter. Se o exotismo da música espanhola fascinou os compositores franceses do princípio do século XX, o ambiente parisiense e as correntes do Impressionismo e do Neoclassicismo francês foram igualmente marcantes para os compositores ibéricos.

Sónia Alcobaça tem-se distinguido entre a nova geração de cantores portugueses pelo seu timbre cintilante e por óptimas qualidades musicais. Estudou na Escola Superior de Música de Lisboa com Joana Silva, trabalhando actualmente com Elena Dumitrescu-Nentwig. Já interpretou vários papéis do repertório lírico em obras de Donizetti, Bizet, Britten, Milhaud, Honegger, Falla e Pinho Vargas) e tem actuado com vários agrupamentos, entre os quais a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra do Algarve, a Orchestrutópica e o Ensemble Barroco do Chiado.

Cristina Fernandes

Público, 06 de Fevereiro, 2009

sábado, 3 de janeiro de 2009

Outro Fim - Mais uma crítica



Jornal Expresso / Revista Actual
03/01/2009


Texto de Jorge Calado

"No fim é que está o começo


Estreou «Outro Fim», a ópera de Vieira Mendes e Pinho Vargas que marca o fim do ano musical.

TARDOU mas arrecadou. O pretexto duma boa ópera é um bom libreto, e este surgiu há cinco anos, quando a Culturgest encomendou a José Maria Vieira Mendes o texto para uma jovem ópera de câmara. Não pegou logo, mas há males que vêm por bem. O compositor certo - António Pinho Vargas (APV) - acabaria por o encontrar, num feliz caso de serendipidade. Outro Fim é um libreto inteligente, misterioso, económico e eminentemente cantável. Que um dramaturgo português, sem prática de ópera, seja capaz de produzir uma obra-prima é caso para embandeirar em arco. Quando, finalmente, se ouve tal texto a pulsar e a viver através duma música de altíssima qualidade e de uma encenação estimulante (embora, às vezes, problemática), estamos a assistir a um milagre.


De que trata Outro Fim ? Do desejo de sobrevivermos sendo outros, que é, afinal, o tema da própria ficção teatral. O autor desdobra-se nos seus personagens e permite ao intérprete fazer o mesmo. Eu sou vários, e nesta vontade de me unir ao outro acabo por ser um só. No caso de Outro Fim, a alteridade e ambivalência funcionam porque estão muito bem estruturadas dramaticamente, no espaço e no tempo. Cinco personagens (Mãe, Mulher, Homem, Irmão e Cunhada) em três lugares (casa da Mulher e Mãe, café e casa do Irmão e Cunhada), ao longo das quatro estações do ano. Um pentagrama social habita uma tríade espacial durante a quadratura do ano. Com o triângulo, o quadrado e o rectângulo é possível formar os cinco poliedros platónicos; 3, 4 e 5 (cuja soma é 12) são também a base pitagórica de muita boa música. A trama é simples: Homem e Mulher apaixonam-se. Irmão (do Homem) e Cunhada esperam o primeiro filho. Homem foge (motivos políticos?), mas envia cartas à Mulher através do Irmão. Irmão apaixona-se pela Mulher. Homem regressa. Irmão mata Homem e Cunhada (que é a sua mulher). A Mãe volta ao princípio e tudo pode recomeçar. Será que o fim será igual?


Como os personagens não têm nomes, o Irmão pode usurpar o lugar do Homem, tanto mais que a Mulher é escritora (de cartas, entre outras ficções). (Vieira Mendes reconhece a importância da cena de Persona, de Ingmar Bergman, em que os rostos de duas mulheres - personagens?, actrizes?, amantes do realizador? - se sobrepõem.) Quanto à Mãe, é a pitonisa das tragédias gregas. Procura decifrar as formas - nuvem, árvore ou rosto (contornos e sombras na caverna de Platão?) - e abre e fecha Outro Fim recitando as mesmas palavras: «sombra ou um rosto», o princípio de toda a ficção. Por outras palavras, no fim está o começo (o que não significa que o próximo fim seja o mesmo). Este é um libreto sobre a invenção literária e a criação artística em geral. Onde está a realidade? Como diz a Mãe, «A minha filha foge/para dentro de um caderno/vive numa página/mergulha no papel.» Quando tudo fica dito nesta estória acelerada, os personagens reduzem-se a um - o escritor (e compositor).


Pinho Vargas é um músico que cultiva a heteronímia. Além de ensaísta notável, é um homem do jazz e um clássico contemporâneo, com produção variada de grande qualidade (Outro Fim é a sua quarta ópera). O encontro dum dramaturgo e dum compositor atraídos pela alteridade funciona magnificamente. À divisão (ou multiplicação) dos eus segue-se a síntese, por exemplo, na união do casal: «Tu és meu.../Eu sou tu», cantam a Mulher e o Homem; ou as simetrias do «Ai, matei! Ai, morri!», do Homem. Pinho Vargas não segue rumos fundamentalistas; bebe onde melhor entende. Há uma grande liberdade composicional - até na divisão orquestral. As cenas no café adquirem um «beat» vital graças aos vários «combos» que APV traz para o palco (cordas, mas também clarinete/oboé, pianoforte e percussão). De resto, os seus objectos e «gestos» musicais são isomorfos dos ritmos do libreto, das suas rimas e repetições. O texto presta-se a ariosos (por exemplo, o «Todos os dias como criança», da Mulher, ou o «Perco a vista», do Homem, com violino «obbligato»), e até a um belíssimo, comovente dueto de amor entre o Homem e a Mulher (que ocorre no Outono). Tudo, na partitura, é bem pensado, até os interlúdios gestuais de notas líquidas no piano (o seu instrumento). A amplificação (discreta) justifica-se pela acústica da sala.


André E. Teodósio, responsável pela encenação e espaço cénico (em parceria com Vasco Araújo), abriu cinematicamente a montagem anulando as fronteiras entre cenas. A fluidez teatral é parte integrante da inevitabilidade dramática. Os intérpretes deambulam pelos bastidores (por exemplo, para fumar um cigarro ou beber um copo) ou improvisam uns passos de dança ao som contagiante da música. Assim se reforçam os vários eus. Há os personagens que, por acaso, são interpretados por actores que são pessoas que escolheram ser cantores (sem esquecer que, nesta ópera, os instrumentos são também «dramatis personae»). Todos pirandelliamente à procura dum sentido para Outro Fim. Há um simpático ambiente artesanal (a pistola que nem sequer é de papel, mas no papel), embora Teodósio ignore deliberadamente várias indicações do dramaturgo e introduza alguns postiços desnecessários. Gostei dos figurinos de Mariana de Sá Nogueira (repararam nos sapatos?).


O espectáculo contou com cinco excelentes cantores, bem dirigidos pelo encenador. Julgo que APV compôs a ópera para «estes» cantores - e isso nota-se. O facto de Larissa Savchenko (Mãe) acusar uma certa usura vocal não comprometeu a eficácia da representação. Luís Rodrigues (Homem), que é hoje um veterano das óperas de Pinho Vargas (criou o Édipo, a Tragédia de Saber, em 1996), foi primoroso, e a voz cheia e rica de matizes de Sónia Alcobaça (Mulher) operou maravilhas. Coube-lhes o momento alto da partitura - o encanto do dueto de amor, justamente abençoado pela Mãe com uma chuva de ouropel. Mário Alves e Madalena Boléo formaram um casal impecável. Prestação virtuosística de elementos da Orquestra Sinfónica Portuguesa. Apresentada em co-produção com o São Carlos, Outro Fim constitui uma homenagem ao saudoso Manuel José Vaz, primeiro presidente da Culturgest e antigo administrador do São Carlos, iniciador deste projecto.


A frustração maior é não conseguir ouvir novamente Outro Fim (assisti à segunda e última representação), até porque só quando cheguei ao fim do espectáculo é que entendi o seu início, 90 minutos antes. Sem partitura nem gravação à vista, fico-me com a fruição sensível duma obra-prima, sem possibilidade de confirmação (ou refutação) racional. Este é outro drama da criação contemporânea - aquilo a que APV chama produção «site-specific». É verdade que era assim que Händel trabalhava (o que lhe permitia reciclar o material), mas as circunstâncias eram outras. Será que a Casa da Música, o Teatro São João ou o CCB se aventuram a quebrar o enguiço do «site-specific»? Se a música fosse comisserável, com as concomitantes ligações perigosas entre arte e dinheiro - como acontece nas artes plásticas -, há muito que o problema estaria resolvido..."

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Portfólio: La voix humaine / Poulenc


VIDEO








Elle: Sónia Alcobaça
Piano: Helder Marques

Fundação Calouste Gulbenkian / CAM - 2007


Encenação: José Lourenço

Direcção Musical: Cesário Costa