quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pinho Vargas e Vieira Mendes à procura de "Outro Fim"

Luis Rodrigues (Homem) e Madalena Boléo (Cunhada)


António Pinho Vargas estreia sábado uma nova ópera, com libreto de José Maria Vieira Mendes. Ana Dias Ferreira falou com os dois.

A história começa no Verão e acaba no Verão, uma volta de 360 graus através das quatro estações. Um ano de acção concentrado numa hora de ópera, com cinco cantores/personagens, 23 instrumentos e três espaços cénicos num só palco, visíveis em simultâneo. Pelo meio, um crime. Como se esta fosse uma ópera clássica, trágica, mas “em miniatura”, condensada. Uma ópera cuja história José Maria Vieira Mendes imaginou, e à qual o pianista e compositor António Pinho Vargas deu música. A estreia acontece este fim-de-semana, às 21.30, na Culturgest. A encenação é de André e. Teodósio.

Quando Pinho Vargas leu Outro Fim, o libreto encomendado pela Culturgest a Vieira Mendes em 2003, estava imerso na composição da sua terceira ópera, A Little Madness in the Spring. Ainda assim, à primeira leitura foi evidente: “Este pareceu-me o libreto mais conforme a uma ópera tradicional”, diz o compositor. “Trata-se de um drama familiar, e a clareza do texto, a plasticidade e a densidade psicológica das cinco personagens são muito adequados ao canto e à vocalidade.”

Como sempre, António Pinho Vargas começou pelo texto. Leu, releu, interpretou. E como tinha de começar a compor por algum lado, começou pela Mãe (no libreto é mesmo assim, as personagens não têm nome, são a Mulher, o Homem, o Irmão, a Cunhada e a Mãe). “Sendo uma ópera, a música existe em função das personagens”, diz o compositor, “e a primeira coisa que fiz foi tentar captar a musicalidade mais adequada à figura da mãe, que é uma personagem isolada, que não sai e quase não interfere com as outras personagens, mas é central”.

A segunda fase, continua Pinho Vargas, “foi compor lato sensu, tendo em conta o texto e a evolução das personagens”. Uma evolução “complexa”, considera o compositor, dando como exemplo a relação entre os dois irmãos: “No início da peça, um deles acabou de sair da prisão, não quer trabalhar, mas no fim da ópera apaixona-se e é o outro irmão que começa a beber e que está revoltado. Há uma troca de personagens muito interessante.”

Isso, essa troca de identidades, foi ideia de José Maria Vieira Mendes, que confessa que antes de escrever este libreto deu por si com a memória de uma cena do filme Persona, de Ingmar Bergman, em que os rostos de Liv Ullman e Bibi Andersson se sobrepõem.

Mas pensar a questão do outro não era tudo: “Tinha vontade de escrever um libreto condizente com um imaginário romântico de um espectador esporádico de espectáculos de ópera”, diz Vieira Mendes. “A morte do herói, o amor desencontrado, o suicídio ou homicídio, o desenlace trágico... Queria jogar com essa tradição clássica ao género Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Amor de Perdição ou West Side Story, e trazê-la para a pequena dimensão da ópera de câmara.” Espremendo, concentrando, fazendo a tal ópera trágica “em miniatura”. E assim dificultando a tarefa ao encenador.

André Teodósio, que já trabalhara com Vieira Mendes em Super-Gorila e Avarento ou a última festa, encontra no escritor um “prazer sádico em dificultar a realização da sua própria obra.” Como escreve o encenador nas notas ao programa, é como se o escritor acordasse e se pusesse a pensar em coisas difíceis de colocar em cena, como “o cair da noite, morrer e dar à luz, estações que mudam”. Pinho Vargas não ajudou muito. “Decidiu jogar o mesmo jogo”, diz Teodósio. “Compôs uma obra musical que joga claramente com a História da Música, com todos os géneros musicais, uma ópera que dilata e comprime, de uma complexidade técnica exímia.” E ainda tirou alguns músicos do tradicional fosso de orquestra e colocou-os em cima do palco, ao piano, nas cenas que se passam no café (as outras passam-se na casa do Irmão e da Cunhada e na casa da Mulher e da Mãe, mas está tudo à vista desarmada, lado a lado).

O título, Outro Fim, esse é “roubado” a um poema de Antero de Quental. Explica Vieira Mendes: “Em Outro Fim existe a ideia do tempo e do mundo redondo, com a passagem das estações do ano, dar a volta ao ano... E chega-se ao fim com a ideia de que se pode reiniciar. Mas este reinício, como está implícito no título, não seria para fazer o mesmo mas sim outra coisa”, continua o autor. “No fundo é a história da literatura. A história da linguagem. A história das artes: andar à volta das mesmas coisas mas sempre à procura de outras formas. À procura de um outro fim, mas nunca do fim definitivo.”


in timeout.sapo.pt

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

domingo, 7 de dezembro de 2008

Estreia de "Outro Fim" na Culturgest


ÓPERA
SÁBADO 20 E DOMINGO 21 DE DEZEMBRO DE 2008
21h30 · Grande Auditório· Duração 1h15 · 25 Euros (Jovens até aos 30 anos: 5 Euros. Preço único)
Outro fim
De António Pinho Vargas. Libreto de José Maria Vieira Mendes.
Direcção musical Cesário Costa
Encenação André e. Teodósio em parceria com Vasco Araújo
Iluminação Daniel Worm D’Assumpção
Figurinos Mariana Sá Nogueira
Produção Joana Dilão
Vídeo André Godinho
Intérpretes
Mãe: Larissa Savchenko
Mulher: Sónia Alcobaça
Cunhada: Madalena Boléo
Homem: Luís Rodrigues
Irmão: Mário Alves
Elementos da Orquestra Sinfónica Portuguesa
Co-produção Teatro Nacional de São Carlos, Culturgest
Encomenda da Culturgest - Estreia

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

III Encontros de Música dos Patudos



3ª Edição de Serões Culturais na Casa dos Patudos

Alpiarça, 30 de Novembro de 2008

Concerto de Outono-Homenagem a Puccini
( no aniversário dos 150 anos do seu nascimento )


Giovanni Andreoli - Direcção musical / Piano
Quinteto de Sopros da Orquestra Sinfónica da Op - Companhia Portuguesa de Ópera

Sónia Alcobaça, Pedro Chaves e Luis Rodrigues - Cantores
Jorge Rodrigues - Narrador

Programa:

Nabucco Overture - Verdi
La Fanciulla del West - Puccini (Luis Rodrigues)
Madama Butterfly - Puccini (Sónia Alcobaça)
Tosca - Puccini (Pedro Chaves)
La Bohème - Puccini (Luis Rodrigues)
Tosca - Puccini (Sónia Alcobaça)
La Bohème - Puccini (Pedro Chaves / Luis Rodrigues)
Tosca - Puccini (Sónia Alcobaça / Pedro Chaves)
Turandot - Puccini (Pedro Chaves)
Traviata brindisi - Verdi (Sónia Alcobaça / Pedro Chaves / Luis Rodrigues)



terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ópera-Vídeo



Foi no passado dia 29 Novembro, no Auditório da Ordem dos Médicos, por ocasião de mais uma Ópera-Vídeo conferência, promovida pela Ginásio Ópera, que, ao longo de uma animada conversa entre o Dr.José Serra Formigal e o Dr.João Maria de Freitas Branco, revivi alguns dos mais belos momentos das óperas "Cavalleria Rusticana" de Mascagni e "I Pagliacci" de Leoncavallo. Além de mim, foram igualmente intérpretes o tenor Frederico Almendra, o barítono Frederico Santiago e ao piano o maestro Kodo Yamagishi.

Programa:

Cavalleria Rusticana

"Voi lo sapete, o mamma" (Santuzza)
"Oh, il Signore vi manda, compar Alfio" (Santuzza e Alfio)
"Mamma, quel vino é generoso" (Turiddu)

I Pagliacci

"Prologo" (Tonio)
"Stridono lassù" (Nedda)
"Recitar" (Canio)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Only whoop-dee-doo songs


No final deste projecto, fica a enorme admiração por este compositor. Pela sua música e pela forma descontraída, simples e tão divertida de interpretar a vida. Um charme.

Canções de Cole-Porter

(arranjos para Clarinete, Violino, Viola, Violoncelo

e Piano de Nuno Côrte-Real)

Night and Day

You do something to me

It's all right with me

Ev'ry time we say goodbye

I love Paris

Let's do it

Get out of town

From this moment on

In the still of the night

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cole Porter no Teatro-Cine de Torres Vedras



Já amanhã, 17 de Outubro, pelas 21:30 no Teatro-Cine de Torres Vedras, reviver-se-á a música intemporal deste compositor norte-americano. Com o Ensemble Darcos, Armando Possante, eu e Nuno Côrte-Real na direcção musical, serão interpretadas algumas das mais românticas e inesquecíveis melodias de Cole Porter. Aos amantes do género deixo o convite.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Eboraemusica - Música nos Claustros




IX Ciclo de Concertos “Música nos Claustros/Encontro de Instrumentos e Vozes Ibéricas”


Claustros do Convento dos Remédios - Évora

13 de Setembro de 2008, às 21:30


Sónia Alcobaça (Soprano)
Manuel Pedro Nunes (Barítono)
Kodo Yamagishi (Piano)

Programa:

- Interpretação de excertos de óperas de Verdi, Puccini, Leoncavallo, Korngold, Weber, Richard Strauss.



( Nota: Um convite de última hora justificado por razões de saúde
da minha querida Ana Ester. Desejo de rápidas melhoras. )

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Próximos projectos



Fundação Calouste Gulbenkian
Temporada 2008 / 2009


Recital


SÓNIA ALCOBAÇA (soprano)

JOÃO PAULO SANTOS (piano)

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009, 19h - Auditório Dois


Isaac Albéniz

Il en est de l'amour

Deux morceaux de prose de Pierre Loti:
1. Crépuscule
2. Tristesse

Manuel de Falla

Trois mélodies:
1. Les Colombes
2. Chinoiserie
3. Séguidille

Joaquín Turina

Três arias:
1. Romance
2. El Pescador
3. Rima

Enrique Granados

Goyescas: «La maja y el ruiseñor»

Canciones amatorias:
1. No lloréis, ojuelos
2. Lloraba la niña
3. Gracia mìa

Rodolfo Halffter

Canciones sobre Marinero en Tierra, op.27
1. Qué altos los balcones
2. Casadita
3. Siempre que sueño las playas
4. Verano
5. Gimiendo por ver el mar

Louis Durey

Chansons basques, op.23a
1. Prière
2. Polka
3. Attelage

Darius Milhaud

Dissolution (de Sept Poèmes de Connaissance de l’Est de Paul Claudel)

Georges Auric

Alphabet:
1. Album
2. Bateau
3. Domino
4. Filet à papillons
5. Mallarmé
6. Hirondelle
7. Escarpin

Arhur Honneger

Poésies de Jean Cocteau:
1. Le Nègre
2. Locutions
3. Souvenirs d’enfance
4. Ex-voto
5. Une danseuse
6. Madame

Darius Milhaud

Deux Poèmes de Connaissance de l’Est de Paul Claudel

Francis Poulenc

Métamorphoses:
1. Reine des mouettes
2. C’est ainsi que tu es
3. Paganini

Germaine Tailleferre

Six Chansons françaises:
1. Non, la fidélité
2. Souvent un air de vérité
3. Mon mari m’a diffamée
4. Vrai Dieu, qui me confortera
5. On a dit mal de mon ami
6. Les trois présents

Erik Satie

Trois chansons de café-concert:
1. Air fantôme
2. J’avais un ami
3. La chemise

terça-feira, 2 de setembro de 2008

OUTRO FIM



Sábado 20 e Domingo 21 de Dezembro de 2008 -
21h30
Grande Auditório da Culturgest

Duração 1h15

25 Euros (Jovens até aos 30 anos: 5 Euros. Preço único)


Outro fim

De António Pinho Vargas.
Libreto de José Maria Vieira Mendes.

Classificação: M/6


A primeira leitura do libreto Outro Fim de José Maria Vieira Mendes mostrou-me antes de mais nada três coisas: que as palavras tinham uma plasticidade muito adequada a uma ópera, que a acção dramática se desenrolava com o ritmo de uma peça de teatro e, finalmente, que as personagens eram ricas, tinham espessura e complexidade psicológica. Que mais se pode pedir a um libreto?Pairam por cima deste texto – e desta ópera – os dramas familiares, as histórias de vida dos que, face a um quotidiano pouco exaltante, acabam por chegar às tragédias. O meu trabalho de composição segue o meu procedimento habitual, ou seja, começa pelo texto, pela interpretação das situações e pela consideração do seu potencial. Os materiais musicais que vão sendo criados deste modo são sujeitos a transformações e derivações de si próprios conforme o desenrolar da acção e a contingência do acto criativo. A divisão do palco em três lugares da acção visíveis em simultâneo, sendo um deles um café, motivou a escolha de divisões entre a localização principal dos músicos no fosso e de pequenos grupos instrumentais on stage em certos momentos.

António Pinho Vargas
Junho de 2008


Havia a memória de um filme. Uma memória que não era muito mais nítida que a imagem da sobreposição de duas caras, duas películas justapostas a encaixarem-se. Era também a ideia de máscara, era a palavra "persona", era as duas mulheres, as identidades a confundirem-se. Era um reforço da ficção, uma demonstração da ficção.Para refrescar a memória não revi o filme, mas li o livro. Roubei umas frases que já não sei se ficaram e interessei-me quase em simultâneo por uma antiga ideia de ópera. E depois fui começando até acabar num libreto de Série B. Ou seja, uma história operática, com todos os ingredientes – trágica, romântica, desesperada – mas em tempo reduzido. Concentrada e apertada. A princípio ainda com espaço para todos, mas no final já só com espaço para poucos.E por culpa disto, por falta de espaço e também de tempo, as identidades, lá está, misturam-se, sobrepõem-se e atraem-se como o mercúrio. Os muros apertam, as portas fecham-se, as "personas" são obrigadas a encolher, a juntar-se aos outros até deixarem de ser. Ou até se mostrarem – e este é um vício que ainda não sou capaz de abandonar – gente de um autor, coisa de papel, fina película sem carne nem osso.

José Maria Vieira Mendes


Direcção musical Cesário Costa
Encenação André e. Teodósio em parceria com Vasco Araújo
Iluminação Daniel Worm D’Assumpção
Figurinos Mariana Sá Nogueira
Produção Joana Dilão
Vídeo André Godinho

Intérpretes

Mãe: Ana Ester Neves;
Mulher: Sónia Alcobaça;
Cunhada: a anunciar;
Homem: Luís Rodrigues;
Irmão: Mário Alves.

Elementos da Orquestra Sinfónica Portuguesa
Co-produção Teatro Nacional de São Carlos, Culturgest
Encomenda da Culturgest



The libretto for Outro Fim by José Maria Vieira Mendes has all the elasticity required for opera, the dramatic action proceeds at the place of a play, and the characters are well-rounded. It is a family drama covering the life stories of ordinary people whose lives turn to tragedy. It provided the starting point for António Pinho Vargas’ composition, the stage being divided into three sections with action taking place simultaneously. The libretto was inspired by a film, but rather than re-watch the film Mendes decided to read the book, which resulted in an operatic libretto containing tragedy, romance and despair, but concentrated in time – a distilled essence.

© 2008 Culturgest